11/05/2016

8 dicas para preparar a Volta a França


Desenganem-se os que acham que os pontos altos de uma Volta a França são as praias da Riviera mediterrânica, as vinhas de Bordéus, os castelos do Loire ou a Torre Eiffel. Na verdade, a mais entusiástica emoção vive-se nas cénicas e vertiginosas estradas montanhosas, nos zigzags alpinos e nos íngremes cumes dos Pirinéus!

Sim, o "Tour de France" é mesmo daqueles eventos marcantes que merece ser vivido pelo menos uma vez na vida! Conheça ou descubra melhor as razões de tantas paixões (de aficcionados e leigos), confira as perguntas e dicas que se seguem, e reserve uns dias de Julho para aplaudir ao vivo estes super-ciclistas!


1. O que é o “Tour de France”?


É a mais tradicional e popular competição velocipédica. Esta prova realiza-se anualmente em França, sendo frequente percorrer também estradas nos países vizinhos. Desde 1903, o "Tour" conta já com mais de 100 edições realizadas, tendo apenas sido interrompido durante as duas guerras mundiais. Decorre no mês de Julho, durante três semanas, e termina sempre em Paris, junto ao Arco do Triunfo.

Dica: sendo por muitos considerada a mais dura prova física do mundo, são aqui testados os limites do próprio organismo humano. Mas veja para além da vertente competitiva... conheça a tecnologia de ponta aplicada nas múltiplas dimensões da competição (ultrapassando não raras vezes a fronteira do conhecimento), repare na enormíssima logística em permanente movimento, ou no enorme entusiasmo do próprio público, a diversidade cultural, social, etária, ...

Col du Galibier - multidões incentivam os corredores ao longo das montanhas mais inóspitas.


2. Porquê ir ao “Tour”?


É a competição desportiva com mais adeptos a assistir ao vivo. Estimativas apontam para mais de 15 milhões ao longo das 3 semanas da prova! Num só dia, podem estar nas bermas da estrada, mais de um milhão de pessoas! Nas transmissões televisivas, a audiência é superior a 2 mil milhões de espectadores! Acima de tudo, é a festa maior em quase todas as localidades por onde passam os ciclistas. As comunidades locais mobilizam-se e as cidades engalanam-se, mostrando o que de melhor têm para oferecer.

Dica: o ciclismo é o desporto de alta competição em que os adeptos estão mais próximos dos atletas. Os espectadores são verdadeiramente parte da festa, partilhando o palco (estrada) e podendo interferir directamente no resultado final. Aproxime-se dos corredores - antes, durante a após a etapa - e viva mais intensamente a verdadeira 'Meca' do desporto popular.

Bagnères-de-Luchon - cidade festiva para receber a chegada de uma etapa do Tour. 


3. Quando ir?


Em Julho. Escolha as etapas de montanha – nos Alpes e nos Pirenéus – e prefira as últimas subidas dessas mesmas etapas, onde os ciclistas passam a meio da tarde, lentamente e dispersos. É aqui que se concentra o maior espectáculo desportivo e não só!

Dica: planeie com bastante tempo – a prova é apresentada com cerca 9 meses de antecedência. Acompanhe o site oficial (www.letour.com) para conhecer os detalhes dos percursos e procure as etapas-chave, que normalmente coincidem com os fins-de-semana.

O tempo na montanha é sempre imprevisível, mesmo no Verão.


4. Como ir ao “Tour”?


Caravana, carro, bicicleta… o meio não interessa! Vá por si mesmo. Em algumas subidas, a estrada fecha de véspera. Quer isso dizer que para ficar próximo das emoções, vai ter que passar a noite na montanha (acampado ou em auto-caravana), ou subir de manhãzinha (a pé ou de bicicleta).

Dica: leve a sua bicicleta e suba a montanha antes mesmo dos ciclistas profissionais o fazerem. ‘Abra’ a estrada e teste os seus próprios limites!

Sir Bradley Wiggins, vencedor do Tour em 2012, na fase final da subida ao Col de Peyresourde.


5. Onde ficar?


Na berma da estrada, literalmente. Acampe onde encontrar espaço. São centenas e centenas de tendas e auto-caravanas, milhares de pessoas ao longo da subida. Os mais comodistas podem procurar (e reservar) hotéis nas proximidades. Neste caso, é conveniente muitaaa antecedência!

Dica: abasteça-se antes de subir. Refeições e demais mantimentos. Lembre-se que vai estar na montanha, com estradas cortadas durante várias horas, onde as temperaturas nocturnas podem rondar os 0ºC!... e o sol diurno queima mesmo!

Milhares de pessoas pernoitam em auto-caravanas e tendas nas bermas das espectaculares estradas montanhosas.


6. O que fazer?


Animação não falta. Enquanto espera, vai encontrar gente e fazer amigos de quase todas as nacionalidades do mundo! Vai também preparar os mais criativos incentivos para os ciclistas, e vai ainda escrever incitamentos na estrada. E quando passarem os atletas, vai encorajá-los o mais que conseguir!

Dica: cerca de hora e meia antes de passarem os ciclistas, passa a famosa “caravana” publicitária, que mais não é do que um cortejo carnavalesco dos patrocinadores da prova, que interage com o público, oferecendo inúmeros brindes. Participe e ponha-se a jeito!

O patrocinador da camisola amarela (símbolo de líder da prova) é um dos mais populares.


7. Mas vale mesmo a pena?


Sem dúvida! Mesmo para quem não segue a modalidade, o ‘Tour’ é uma enorme festa. É todo um ‘circo’ ambulante, carnavalesco e efémero, que move paixões de novos, velhos e, até, crianças. Além disso, é local de encontro de povos e culturas, de paisagens deslumbrantes e de emoções vibrantes!

Dica: viva pelo menos duas ou três etapas consecutivas. No final do dia, depois de reaberta a estrada, siga de imediato para o final da etapa seguinte (antes que fechem essa estrada). Não precisa ir pelo percurso da prova – procure atalhos.

O numeroso público sempre presente nas etapas de alta montanha aguarda com grande expectativa a passagem dos ciclistas.
  

8. Como acompanhar a corrida em tempo real?


Os aficionados não se contentam em esperar pela passagem da caravana e dos ciclistas. Acompanhar a prova é muito mais do que conhecer as equipas e os corredores. Há que seguir o desenrolar da etapa para conseguir ler a corrida quando nos passar à frente.

Dica: procure os grupos organizados e as auto-caravanas onde se reúnem pequenas multidões de fãs junto da estrada – normalmente têm televisão e transmitem as imagens para os que ali se juntam, o que permite seguir a corrida em tempo real.

Eis como acompanhar a progressão dos ciclistas via televisão para melhor ler a corrida quando passar por nós.


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COLOCANDO EM PRÁTICA:

Ir: de Lisboa a Bagnères-de-Luchon (Pirenéus) são 1.200 km, que se cumprem perfeitamente num dia de automóvel. Já de Lisboa a Bourg d'Oissans (Alpes) são 1.800 km, que se fazem num muito longo dia de viagem.

Ficar: embora os itinerários da prova alterem todos os anos, há subidas de montanhas que se repetem muito frequentemente. Nos Alpes, Bourg d'Oissans é uma excelente base para acompanhar a mítica subida ao Alpe d'Huez, e Briançon é talvez a melhor opção para seguir as subidas ao Col du Télégraphe e ao Col du Galibier. Nos Pirenéus, Bagnères-de-Luchon é a localidade mais próxima do Col de Peyresourdes e do Col de Peyragudes. Já para os míticos Col d'Aubisque, Col du Tourmalet e Col d'Aspin, a cidade de Pau serve como boa base de apoio.

Gastar: assistir à prova é totalmente livre e gratuito. Por isso, a principal despesa será mesmo a viagem de ida/regresso - conte com 200 € para combustível e portagens. Ficando na montanha, os custos são reduzidos já que se pernoita em tenda ou auto-caravana, e as refeições são tipo picnic. Se preferir as cidades, 50 €/pessoa/dia serão suficientes para suportar os custos dos alojamentos e restaurantes. Mas reserve com muita antecedência!

Ver: os locais para ver a prova são tanto melhores, quanto mais acentuada for a subida e mais próximo estiver da meta. Como o traçado da corrida varia todos os anos, o melhor local num ano pode não o ser no seguinte. Além disso, os acessos podem ou não fechar de véspera. Pode-se até conseguir subir tardiamente mas, nesse caso, o mais natural é não encontrar lugar para ficar, estacionar ou pernoitar. Casos há em que um teleférico o leva directo ao topo… Em determinadas situações, a prova repete o percurso no mesmo dia ou em dias consecutivos. Resumindo, cada ano é um ano, e convém estudar o percurso da corrida e planear antes de ir.


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Por fim, prepare-se para:

- apreciar as mais cénicas paisagens montanhosas,
- entrar numa enorme torre de babel por algumas horas,
- caminhar ou pedalar em inclinações acentuadas,
- respirar o ar cristalino e rarefeito dos cumes,
- sentir o sacrifício e o sofrimento dos ciclistas,
- incentivar energicamente todos os atletas, independentemente das rivalidades desportivas,
- partilhar com pequenas multidões a alegria e os festejos do público,
- se envolver com as marcas comerciais das equipas e da caravana,
- trazer inúmeras ofertas promocionais e brindes publicitários.


Alguns metros da subida a Ax-3-Domaines em 2010, no primeiro ano do Rui Costa no Tour.


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