14/03/2016

8 dicas para emagrecer o orçamento da viagem


Como quase tudo, viajar também tem um custo (embora eu prefira falar em investimento). E por muito importante que se optimizem os recursos disponíveis para a viagem e se estime um orçamento equilibrado, este vai sempre ser condicionado por inúmeros factores, internos e externos, de maior ou menor previsibilidade.

É por isso importante termos sempre presente as 8 principais variáveis que impactam nas despesas e (portanto, no sucesso da viagem), sobre as quais podemos de alguma forma actuar, por antecipação ou reacção.


1. Transporte


O transporte é normalmente a rubrica que representa o maior custo da viagem, pelo que importa equilibrar devidamente as variáveis tempo-destino-comodidade. Um longo voo para gozar poucos dias no destino ou alugar um carro para circular numa grande cidade parecem ser opções pouco razoáveis. Compreender a real necessidade e ter flexibilidade para equacionar todos os meios disponíveis (ex: carro alugado/próprio, transportes públicos, bicicleta, barco, voo, a pé…) é meio caminho andado!

Dica: o número de pessoas pode ser determinante na selecção do transporte. Viagem individual, em casal ou em grupo terão necessariamente custos diferenciados. Analise todas as alternativas possíveis, compare os preços (total e por pessoa), avalie-os em função do tempo previsto para cada segmento, e equacione partilhar transporte com outros viajantes.

Ex-autocarro escolar norte-americano, agora a funcionar como transporte público (fronteira Honduras/Guatemala)


2. Tempo


O factor “tempo” é o primeiro e o mais importante a considerar. O seu impacto no orçamento total é tanto maior quanto mais prolongada for a viagem, embora o custo unitário (por dia) seja menor em viagens demoradas, não só porque uma parte significativa (ex: transportes de ida e volta) é diluída por mais tempo, mas também pelo efeito escala na negociação – mais quantidade, menor preço unitário (ex: estadia).

Acresce que o tempo de antecipação no planeamento e nas reservas é também determinante, porque é normal os preços subirem à medida que se aproximam as datas pretendidas. Ou seja, o custo é superior quando comprado em cima da hora – menor oferta, maior procura, preços mais elevados.

Dica: o tempo é também muito significativo quando considerado na perspectiva do ‘clima’. Estações opostas em hemisférios opostos, época de monção, altitude (montanha ou junto ao mar) e latitude (zonas tropicais ou de maior proximidade aos pólos) são os efeitos geográficos com mais impacto no tempo que se enfrentará no destino, e não raras vezes descurado aquando do planeamento (ou falta dele!).

A viagem deve permitir tempo para contemplar a paisagem e o próprio tempo (Casablanca, Marrocos)


3. Contexto


O contexto macroeconómico afecta bastante o custo do destino, especialmente se se tratar de um mercado emergente. O crescimento acentuado e as respectivas flutuações monetárias fazem disparar/afundar taxas de câmbio, o que automaticamente valoriza ou desvaloriza o poder de compra nessa região – podendo o impacto ser superior a 50% num espaço de poucos meses.

Importa ainda considerar seguros adicionais específicos (ex: viagem, médicos, viatura, …), bem como eventuais épocas altas (ex: Verão em zonas balneares) ou datas que coincidam com acontecimentos importantes no destino (ex: grandes eventos desportivos ou feiras empresariais) – que facilmente fazem disparar preços para 100%.

Dica: evite expor-se a custos acrescidos como os das gorjetas/propinas e extorsões/subornos (ex: fronteiras e outros controlos policiais) tão comuns em algumas latitudes. Prepare e reveja antecipadamente o passaporte (data de validade), vistos (motivo e período), convites de entrada (ex: Rússia ou Vietnam) e vacinas obrigatórias.

Fronteiras movimentadas e desorganizadas são terrenos férteis para esquemas pouco recomendáveis (Chiapas, México/Guatemala)


4. Alimentação


Para muitos, a gastronomia é o fim da viagem em si mesmo. Para alguns, uma dor de cabeça. Contudo, o estilo alimentar (gourmet ou fast food), o tipo de dieta (local, internacional, mediterrânica no sudeste asiático ou árabe no México), as restrições (vegan, vegetariano, de carácter religioso), e até os horários (rígidos/flexíveis), forma (sentado, volante, street food, picnic) e o estado físico/saúde (doença, gravidez) vão necessariamente impactar na experiência da viagem como um todo. É por isso importante dedicar atenção especial à alimentação para que as surpresas sejam as mais agradáveis – em palato e custo.

Dica: experimente novos sabores, alimentos e texturas… mas cautela nessa emersão cultural – o prato servido num comboio na Índia, uma simples salada na Bolívia, um extravagante snack no Camboja ou um saboroso taco mexicano podem facilmente arruinar uma barriga por vários dias! Seja criterioso nos lugares e prove aos poucos. Procure saber quais os locais mais trend e vá alternando estilos, tipos e formas para diversificar paladares e equilibrar orçamento.

Buffet de especialidades crus locais num movimentado restaurante em Huay Xai (Laos)


5. Saúde


Rubrica que pode ter um peso substancial quando aconselhável a toma de vacinas e profilaxias, e, se indicada, a preparação de uma farmácia de viagem. Destinos tropicais e regiões com fraca rede de assistência médica exigem uma preparação mais cuidada e com maior investimento. Preveja também possíveis reacções à própria medicação/vacinação. Seguros de assistência médica internacional são sempre aconselháveis, embora os cidadãos europeus estejam cobertos no território comunitário.

Dica: o custo de vacinas e medicamentos pode ser minimizado pela maximização da sua utilização. Ou seja, preserve a integridade dos fármacos (boas condições de transporte e conservação), a sua documentação (lote, bulas, boletim de vacinas) e aproveite a sua validade (utilize os excedentes na viagem seguinte). No caso das vacinas, usufrua do respectivo prazo de eficácia viajando sucessivamente, durante esse tempo, para os territórios onde são úteis.



6. Alojamento


Dormir num hotel, em casa de amigos ou de desconhecidos, numa auto-caravana ou acampado, na cidade ou no campo, uma noite em cada lugar ou sempre no mesmo local, maior ou menor proximidade ao destino (ex: centro da cidade, estância de ski, etc.), dando primazia ao conforto ou preferindo opções de baixo custo, …

Sendo inúmeras as variáveis envolvidas, a escolha da melhor opção de alojamento vai requerer foco, método e objectividade. O efeito comodidade (do próprio sítio e face ao contexto da viagem) e a importância de entender os próprios objectivos de viagem são determinantes na selecção de um local que pode representar muito mais do que a simples pernoita.

Dica: defina claramente o objectivo da viagem e da pernoita em si (apenas dormida um pequeno almoço revitalizante, spa relaxante), compare diversas possibilidades antes mesmo de partir e, em viagens mais prolongadas, combine diferentes estilos para que as surpresas sejam constantes, evitando cair em rotinas.

Quarto simples mas cuja decoração respeita os valores locais, num hotel central em Phnom Penh (Camboja)


7. Equipamento


Bagagem é peso e custo. Mala e/ou mochila, de mão e/ou de porão, o importante é não levar mais do que o estritamente necessário. Quando em viagem independente, as comodidades não são as de casa. Não vai trocar de calçado 5 vezes durante o dia (esqueça o chinelo de quarto, sapato de dia, chinelo de piscina, sapatilha para o jogging, sapato de noite…). Reduza a roupa (que deve ser de fácil lavagem/secagem) e o calçado ao mínimo, apostando na versatilidade. O bom planeamento passa também por adequar o equipamento ao destino, e suas condições (ex: climatéricas, sanitárias, de transportes, etc.).

Dica: viajantes experientes levam normalmente pouca bagagem e na máxima redução do peso transportado (ex: pouca roupa e leve, produtos de higiene em embalagens pequenas e plásticas). Aqui, a excepção são os equipamentos específicos para o entretenimento, como as férias temáticas ou desportivas (ex: skis, prancha de surf, bicicleta, parapente, tenda, botas de montanha), cujo transporte pode ser menos oneroso do que o aluguer/aquisição no destino.

Fase de preparação e selecção do equipamento a levar para a viagem


8. Entretenimento


No fundo, o entretenimento é o objectivo da viagem! Ver, experimentar, sentir ‘coisas’ novas. Jornadas activas ou descansadas (praia, campo, montanha), desportivas (golf, ski, surf, ciclismo, …) ou culturais (património, museus, concertos, …), gourmet, religiosas ou de meditação (peregrinação a Santiago de Compostela, retiro espiritual no Tibete), de trabalho (vindimas em França ou) ou de cooperação (voluntariado na Índia, apoio a ONG em África), o importante é a sensação de realização que se procura obter, que será tanto maior quanto melhor for a sua preparação e planeamento. Invista tempo aqui. O retorno será entusiasmante!

Dica: pesquise as experiências que o entusiasmam, informe-se antecipadamente sobre as condicionantes e defina uma agenda. Evite ir a um monumento no seu dia de encerramento semanal, procure os descontos (dias de entrada livre ou horários de custo reduzido), adquira os bilhetes antecipadamente (para garantir lugar e evitar perdas de tempo em filas). Não vá surfar na Indonésia em época de mar calmo, jogar golf na Tailândia em plena estação de chuvas ou esquiar na Argentina durante o Verão austral. Ou seja, planear, planear, planear. Plano A e plano B, porque surpresas e imprevistos acontecem, e porque a viagem tem que ser aproveitada e vivida ao máximo!

Assistir à ópera no Coliseu Romano de Verona (Itália) numa quente noite de Verão vale por si só uma viagem

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A viagem começa muito antes de sair de casa. Reserve tempo para preparar antecipada e convenientemente todo o itinerário. Pensar, planear e executar exige esforço e método, mas verá que facilmente esse investimento trará retorno, em custo, tempo, confiança e segurança no destino!

Saiba como organizar uma viagem, incluindo o orçamento necessário.
Descarregue aqui o ficheiro-template com 4 exemplos reais, detalhando custos e percursos: http://goo.gl/forms/n9n5r9iEVu.


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