08/02/2016

Marrocos para iniciantes - 8 cidades imperdíveis!


Para quem nunca esteve em África ou fora da Europa, Marrocos pode afigurar-se como um destino difícil e distante. Contudo, diversificado e apaixonante, onde história, cultura, gastronomia, paisagem e clima reúnem o que de melhor há para oferecer. Deixe-se apaixonar e entregue-se à aventura!

Percorra 1.400 kms através das principais cidades monumentais e palacianas do reino, durante dez dias, e passando por sete locais distinguidos pela Unesco como património cultural da Humanidade.


1. Tanger


Local de entrada e de saída para quem atravessa por ferry da Europa, via Tarifa (Espanha). Muitos turistas visitam aqui a sua a primeira cidade árabe, a sua primeira cidade africana e a sua primeira cidade não ‘ocidental’. Se alguns sentem o choque cultural, outros começam de imediato a vibrar com a batida marroquina.

Dica: deixe-se levar. Perca-se nos esconsos mas movimentados becos, e passeie na longa marginal com a Europa no horizonte. Delicie-se com o acentuado cruzamento de culturas, desde a arquitectura à gastronomia!

Mergulhe nas medinas e souks tradicionais marroquinos para sentir a alma do povo

2. Tétouan


Cidade imperial e Património UNESCO da Humanidade, medina de fácil 'navegação', de gentes simples e despretensiosas, onde dá gosto passear. Sendo a menos turística das grandes cidades, vale pela autenticidade que ainda preserva e pela paz dada aos turistas (comparativamente com a acutilância dos demais vendedores marroquinos).

Dica: Tétouan é Marrocos compactada em miniatura. Aqui encontra um palácio imperial (como em Meknés), souqs tradicionais (como em Marraquexe), o tratamento de curtumes (como em Fez), a medina movimentada (como em Rabat), a arquitectura colonial (como em Casablanca ou Tanger)... vai funcionar como aperitivo e catálogo se visitar no início do tour, ou como revisão e recordação se for no final.

Centro de Tétouan onde se situa o palácio real

3. Marraquexe


Marraquexe é Marrocos! Em constante mutação ao longo do dia, a enorme medina surpreende a cada esquina. Um gigantesco labirinto, onde dá gosto andar perdido. Pequenas lojas e grandes bazares, mesquitas e madrassas, riads acolhedores, encantadores palacetes e museus com os seus pátios refrescantes. Tudo gira em torno da grande praça Djemaa el-Fna, que se transforma em cada noite.

Dica: assista à mutação da praça numa das esplanadas térreas ou aéreas, mergulhando depois nas inúmeras experiências possíveis: gastronomia e especialidades regionais, artesanato e jogos diversos, performances de encantadores de serpentes e de macacos trapezistas...

Diariamente, a grande praça Djemaa el-Fna em Marraquexe é invadida por vendedores ambulantes

4. Mazagão / El Jadida


Antiga praça portuguesa, esta medina é um ponto de paragem obrigatória. A antiga cisterna e o imponente forte que ainda hoje exibe as peças de fogo lusas, abandonadas em 1769, são atractivos que não pode perder. No porto pesqueiro pode assistir ao embarque/desembarque do pescado e negociar o peixe ainda vivo directamente com os homens da faina. Por fim, aproveite a praia para descansar ou passear no longo calçadão junto ao mar.

Dica: explore os recantos da cidadela que foi a última possessão de Portugal em Marrocos. Percorra a muralha ao pôr do sol e deslumbre-se com os surpreendentes jogos de luz-sombra projectados nas paredes ocres do edificado.

Assista à chegada dos barcos de pesca tradicional no porto de El Jadida, com o forte da antiga cidadela portuguesa ao fundo

5. Casablanca


Imortalizada pelo filme homónimo de 1942, esta cidade tem sabido renovar-se como nenhuma outra em Marrocos, tendo hoje cerca de 5,5 milhões de habitantes e albergando o maior porto e o maior centro industrial e comercial do reino. Os edifícios constituem uma versão francesa da arquitectura árabe-andaluza, brancos com linhas simples, sendo de especial interesse a área da Praça das Nações Unidas. Noutra zona da cidade, junto ao palácio real, destaque para a Nova Medina, no bairro de Habous, que desponta por entre arcadas muito frequentadas por locais e turistas.

Dica: embora recente (1993), a Mesquita Hassan II, capaz de acolher 100 mil fiéis, é sem dúvida o maior ex libris da cidade. Com o seu minarete com 210 metros de altura, este é o mais alto tempo do mundo e a terceira maior mesquita do mundo (atrás de Meca e Medina). Embora sendo das poucas mesquitas que permite a visita a turistas não muçulmanos, os seus horários são reduzidos.


A Mesquita Hassan II, com o mais alto minarete do mundo, marca o perfil de Casablanca

6. Rabat


A capital é um oásis neste país. Moderna e cosmopolita, reinventa-se em cada bairro, onde a medina convive com apartamentos luxuosos, as mesquitas contrastam com os edifícios governamentais, o comércio tradicional choca com o requinte das grandes marcas. Aqui, o oriente cruza-se com o ocidente. Em termos turísticos, de destacar a Torre Hassan, cuja mesquita foi destruída pelo terramoto de 1755 e o adjacente Mausoléu de Mohammed V e dos seus dois filhos, o rei Hassan II e seu irmão mais novo Moulay Abdellah.

Dica: ícone imperdível, o Kasbah dos Oudaias, cidadela dentro da cidade, é charmoso e encantador, com ruelas calmas e floridas, a suavidade do ar marinho e o perfume dos jardins andaluzes. Medieval e fortificada para defesa dos corsários da vizinha Salé, na margem oposta, na foz do rio Bu Regreg.

Honras especiais no Mausoléu do rei Mohammed V em Rabat

7. Meknés / Volubilis / Moulay-Driss


Capital durante o reinado do proeminente sultão alauita Moulay Ismail, entre 1672 e 1727, esta cidade imperial está rodeada por uma cintura tripla de muralhas, que abriga o palácio do sultão e uma cidadela do Califado Almóada. Durante o período colonial francês (1912-1956), Meknés era conhecida por "Versalhes de Marrocos" ou "pequena Paris", realçando a beleza da cidade. Hoje, a zona mais popular é a antiga medina Kdima.

Dica: 30 kms a norte, encontram-se as ruínas romanas de Volubilis (também classificada pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade) e a cidade santa de Moulay-Driss, fundada em 788. Para os muçulmanos, é a cidade mais sagrada de Marrocos por nela se encontrar o mausoléu do descendente directo do Profeta Maomé (neto de Fátima, filha de Maomé). Local muito pitoresco, alcandorado nas encostas do Monte Zerhoun, em dois altos rochosos rodeados por três vales verdejantes e muito férteis, dominando a vasta planície do Saïs, Dizem os crentes que cinco idas a Moulay-Driss equivalem a uma ida a Meca.

O mausoléu de Moulay-Driss destaca-se na homónima cidade santa

8. Fez


Fundada em 789, e capital de Marrocos em diversas épocas, aloja a Universidade al Quaraouiyine, alegadamente mais antiga universidade do mundo ainda em funcionamento, criada em 859. Cidade imperial e classificada pela UNESCO, Fez é um gigantesco labirinto medieval onde o visitante jamais conseguirá localizar a maioria dos pontos turísticos: 30 mesquitas, 6 madrassas, 3 mausoléus, 5 museus, 5 fortalezas, 5 kasbahs, 8 palácios e 26 portas da medina.

Dica: passeie nas muralhas ou perca-se nos tortuosos e estreitos becos da medina, de mil odores. Visite um curtume - é uma experiência única! - onde o couro ainda é trabalhado de forma artesanal, com químicos orgânicos (ex: excremento de pombo) e corantes naturais... o efeito desta prática milenar de centenas de tanques no interior da medina (e respectivos escoamentos precários) pode ser 'atenuado' passando ramos de hortelã junto do nariz... :)

O palácio real de Fez transmite o ambiente solene em volta da monarquia e do Estado


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COLOCANDO EM PRÁTICA:

Viagem: de Lisboa a Tarifa são 600 kms que se fazem em 6 horas de carro. Pode deixar-se o carro em Espanha ou levá-lo no ferry. Em alternativa, ir de autocarro até Sevilha e prosseguir via Cádiz ou Algeciras. Outra opção é voar-se directamente para Tanger, Casabanca, Rabat ou Marraquexe.

Travessia: a viagem Tarifa-Tanger demora cerca de 1 hora, havendo vários ferrys por dia. O bilhete pode ser adquirido directamente na bilheteira ou antecipadamente via Internet. Há várias companhias e tipos de bilhete pelo que convém alguma comparação.

Fronteira: os cidadãos europeus não necessitam de visto antecipado, apenas passaporte. Não há especiais recomendações de saúde (como vacinas). Se for de carro, terá que contratar uma apólice que cubra o território de Marrocos.

Transportes: as estradas e auto-estradas são em geral boas entre as principais cidades, pelo que pode conduzir com normalidade. Contudo, se não pretender percorrer regiões mais remotas, aconselho a utilização dos transportes públicos. O comboio/trem é confortável e fiável. O autocarro/ônibus permite mais opções de destinos e horários, mas normalmente menos apelativo.

Orçamento: por 450 €/pessoa consegue percorrer todos estes locais durante 10 dias, incluindo transportes, alojamento, refeições, etc. Conte com mais 50 €/pessoa para a travessia de ferry Tarifa-Tanger-Tarifa e 100 € para a viagem Lisboa-Tarifa-Lisboa (em viatura própria).

Alojamento: numeroso e diversificado, grandes cadeias hoteleiras ou pequenos riads, locais luxuosos ou mais modestos, modernos ou antiquados, opções não faltam. Procure já hotéis em Marrocos e reserve antecipadamente aqui.

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Por fim, prepare-se para:

- se perder nas labirínticas medinas,
- tudo o que lhe vão querer vender,
- negociar todo o tipo de compras,
- desarrumar uma loja inteira de tapetes,
- não poder entrar nas mesquitas (nem nas mais turísticas),
- não poder tirar fotografias a palácios e edifícios governamentais,
- provar mil variedades de azeitonas e tâmaras,
- comer cuscuz todos os dias...

2 comentários :

  1. Que rico relato! Meus parabéns! E sobre o idioma? Pretendo ir a Tanger mas preocupo-me com a questão da língua.

    Abraços

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  2. Obrigado Allisson! Idioma em Tanger não é problema... os marroquinos são excelentes vendedores, eles vão falar a língua que você quiser... é impressionante! :) Boa viagem!

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